Trabalho infantil, mas em bom

Os meus filhos passam as férias de verão nas casas dos avós, uns dias nuns outros dias nos outros e assim não temos que pagar ATL's ou afins. Vão para a horta, dão de comer às galinhas, passeiam, vêem televisão e, com muita sorte, estudam qualquer coisa...
Sendo o saldo extremamente positivo, este ano envolveu um prejuízo real de 72 euros. Os meus filhos que nem são muito dados ao futebol partiram, com uma bola, um quadrado do vidro de uma janela da sala dos meus sogros e, bem mais grave, o próprio vidro da porta do recuperador de calor embutido na lareira. A substituição dos 2 vidros custou 72 euros. O meus sogros recusam receber o dinheiro.
No fim-de-semana o meu marido, que tem os valores mais bem instituídos deste mundo, andava aborrecido com isto. Falou com os meninos e explicou-lhes que a responsabilidade de pagar os vidros é deles, que foram descuidados (no mínimo...). Como os avós não querem o dinheiro, combinou com eles juntarem dinheiro e, com esse dinheiro, vão comprar uma máquina de café para os avós, que a deles já dá muitos problemas. Eles perceberam, pensamos, que o que fizeram tem consequências e que eles têm que assumir a sua responsabilidade.
A forma de arranjar e juntar dinheiro consistirá em fazerem pequenas tarefas que lhes indiquemos e receberem dinheiro por elas. A relva precisa ser cortada mas parece que ainda não têm idade para isso. :)
Por outro lado este fim-de-semana não limparei pó nenhum lá em casa.
Achamos que eles assumiram a tarefa pois logo na segunda-feira venderam 2 bonecas e 1 pulseira que sobraram das que eles fizeram para arranjar dinheiro para o Dia do Pijama. Pediram-me uma carteira e guardaram os 3 euros.

Não sei se me ocorreria esta solução para esta situação mas este homem é realmente inspirador na forma como vê a educação deles. Fiquei mesmo orgulhosa dos meus quatro homens!

Oca, anestesiada, aérea, algo do género...

Foi como passei o dia.
Ontem fui ao funeral do meu tio-avô Artur e senti, uma vez mais, que o cancro deixa nas famílias este quase alívio de "pelo menos já não sofre". Ver a minha avó a dar beijinhos, muitos muitos beijinhos ao irmão morto no caixão, os últimos beijnhos que lhe deu, que as filhas e netos lhe deram... aquele adeus para sempre, o último... é realmente devastador. É uma certeza tão grande e tão forte. O lembrar-me constantemente da neta dele, minha prima, que tinha o mesmo nome que eu porque o pai gostou do meu e pensar que ela já morreu há 22 anos e o golpe que foi e como aquela família se aguentou... E ver o irmão que tinha 15 dias quando ela morreu e a outra irmã que tinha 4... e vê-los ali a dizer adeus ao avô e isto dá-nos um bocadinho cabo da alma... e ter a certeza de que todos se lembraram da Vera, do morte da Vera e que todos hão-de partilhar comigo esta esperança de que sim, de que agora o avô está ao pé da Vera. O avô que nunca mais me tratou pelo meu nome, passei a ser a Menina, nunca mais fui Vera ali porque a Vera deles morreu atropelada à porta de casa e foi tão estúpido e devastador... eu espero mesmo que o avô Artur tenha voltado a encontrar a sua Vera, sabem? O que eu quero que isso seja real...

Hoje logo de manhã a notícia, estranha, inesperada, da separação de uma colega. A certeza de que ninguém, mas MESMO ninguém sabe, imagina, o que se passa nas outras casas... e nada é o que parece e parece que é tudo tão diferente do que se pensa, ou imagina...

E com isto tudo anda uma nuvem em cima de mim, uma sensação estranha...

Por outro lado descobri que a minha avó anda farta da pouca capacidade de bateria do telemóvel, irrita-se constantemente com o toque da falta de bateria e fecha o telemóvel no quarto dos fundos só para não o ouvir(sim, sim, era mais fácil po-lo a carregar, mas ela enerva-se). E trata-o por cabrão exactamente porque lhe dá cabo dos nervos.

Dedicada ao meu tio Artur, Blue Eyes mas mesmo cor de céu limpo:



Das certezas desta vida

Constatei que tenho umas 5 ideias que me fariam milionária. Acontece que, para as concretizar teria que deixar o meu emprego e não posso, pois preciso do vencimento.

Não é triste?!

Alpes portugueses

Hoje acordei nos Alpes. Uma pena as fotografias não fazerem jus à imagem real, porque hoje de manhã estava tudo literalmente branco à volta da minha casa. Que camada de geada. 5 graus e ainda não é inverno.


Dia do Pijama - Hoje é o dia!

Hoje é o Dia Nacional do Pijama. Na escola dos meninos estão a fazer coisas giras, giras!
Estão montadas 4 tendas e em cada uma fala-se de sentimentos e coisas boas:
- Abrigo da Família
- Abrigo dos Afectos
- Abrigo dos Sonhos
- Abrigo dos Beijinhos.

Só para terem noção, daquilo que vi, no Abrigo dos Sonhos a animadora tem uma caixa e diz-lhes que lá dentro está o Sonho dos pais deles. Quando eles vão espreitar qual o sonho dos pais, no fundo da caixa está um espelho... São eles!!!!! Eles sorriem sempre... Tão giro, não é?!!!

E ir de pijama para a escola? E peluche? Uma loucura! Não sei quem lhes veste as calças amanhã...

O coração do meu tio Zé

É enorme. Muito, muito grande! Como ele. O meu tio Zé é enorme. Mas tudo nele é proporcional. O físico e o espírito e a alma e os sentimentos, tudo.
O meu tio Zé emociona-se, comove-se e chora onde e com quem for, se o tema o tocar. Ponto final. Sem a história de os homens não chorarem, o tanas é que não choram.
O meu tio Zé é daqueles de dar, de dar tudo, tudo o que tem. Ao ponto de dar a gestão das contas à minha tia, ela que lhes faça a gestão, ele de pouco precisa e o que não tiver não cai na tentação de dar.
O meu tio Zé é o mais velho de 5 irmãos. O mais novo morreu há anos num acidente. O meu pai é o irmão do meio.
Perderam o pai muito novos. O meu pai tinha 12 anos, o meu tio Zé tinha 15.

O meu tio Zé, há coisa de 2 meses, se tanto, descobriu que aquela dor nas costas eram raízes de um cancro que lhe envolve já todo o interior. Mal soube que o tinha e já o tinha em TODO O LADO, vejam bem que estúpido isto pode ser.
O meu tio Zé tem uma neta com ano e meio e faz-lhe falta. Como faz aos meus primos. O meu tio Zé passa o dia com dores, perdeu o andar, é um homem grande com um mal maior numa pequena cama de hospital.

O meu tio Zé ainda na semana passada ligou 2 vezes à minha mãe a perguntar como é que o meu pai se está a aguentar. Ela que lhe dê força....

...

Azeitona

Podia falar-nos nas calças de fato de treino cinzentas. Podia falar-nos na camisola polar bordeaux. Podia falar-vos no colete cor-de-rosa fluorescente ou mesmo nos meus ténis velhinhos que reapareceram.
Mas não, não falo do quanto gira e fashion me vesti hoje. Mais o boné. Não falo, não insistam que nem fotografia tirei.
Mas posso falar-vos de como é bom para a alma passar um dia a apanhar azeitona. BOM, mesmo!

Os meus pais andam nisto há dias. Hoje também tirei o dia para os ajudar. E é bom, caraças!

De manhã o pai saiu com os filhos, cada um à sua vida e eu dediquei-me à horta. Só o nosso terreno, que herdei do meu avô, tem umas 40 oliveiras. Tudo ali à porta. E uma pessoa dedica-se à terra e sente-se bem, mesmo bem (doem-me os ombros, pronto, mas passa).

Passei o dia a pensar em como seria imensamente feliz assim todos os dias. Dedicada à terra. A viver da terra.
Um dia, bolas, um dia ganho coragem. Um dia, caraças. Não acham estúpido ter o mundo aos pés e não viver dele/com ele de corpo e alma? Eu acho!

Depois tomei um banho bem quente (ai, os ombros), vesti-me melhorzinha, fui aos correios, às compras e buscar os miúdos à escola. Muiiiiiito mais feliz do que noutros dias. MUITO MESMO.

Se quiserem parem de ler, isto sou só eu a mentalizar-me de como SEREI Feliz quando viver só do campo. (viram o truque? não disse SERIA, disse SEREI, sim, serei!)

Sabem as pessoas que deixam tudo e partem para uma aventura no campo? Eu já cá estou, percebem?!! Não tivesse tanta necessidade de ordenado fixo para fazer face às despesas... Isto será desculpa?!!!

Bolas, como sou infeliz! Embora goste, e muito, do que faço, vá lá! Mas aquilo, pá, AQUILO é outro Mundo!